Deixem-me falar-vos do complicadíssimo mundo do
dating.
Eu nem sei por onde hei-de começar; há tantas regras e são tantas as conclusões que podemos retirar de um
first date, que (até) eu me perco.
Primeiro há neste país uma coisa fantástica e que me deixa aliviadíssima e com imenso tempo para fazer outras coisas no intervalo dos
dates. É que cabe aos rapazes (pensam eles, coitados) fazer a grande pergunta que é
you wanna go out? (e nas suas variantes:
we should have coffee sometime;
you wanna have dinner this weekend?; e a minha all-time favorite
you wanna go to the movies?). Às meninas só resta dizer sim ou não, timidamente de preferência. É óptimo. Antes disso, claro, o momento em que nos pedem o número de telefone ou, nesta era avançadíssima, o endereço de email. A gente dá, pois claro. Timidamente. Mal sabem eles, pobres.
Depois o
date propriamente. Eles chegam sempre a horas. De bicicleta ou de carro. De carro é melhor. Como diz a minha amiga Liz,
always date a guy with a car (aqui fechadas no campus, ora não). Cumprimentam com um aperto de mão. Não dizem the
f-word, pelo menos não no primeiro
date. Querem saber o que os europeus pensam do povo americano (eu não digo a verdade, estragava logo tudo). Falam de cinema porque sim.
Saímos para jantar às seis e às dez tá tudo despachadinho. A tempo de ler uns artiguinhos para o dia seguinte.
Never kiss on a first date é a regra de ouro, diz a Liz. E eu cumpro à risca (não há nada escrito sobre beijos no segundo
date..).
Never call him afterwards, let him call you first, é a segunda regra. Fácil. Até porque não tenho telefone.
Depois de vários dias de input teórico (a Liz é óptima professora) e de algumas experiências
in loco, posso dizer que já domino a técnica na perfeição.
Por isso é que não estava à espera quando a Liz hoje saltou dez lições na arte de
dating e foi directamente para os capítulos em anexo. Aparentemente, e não fosse eu estar em Silicon Valley, há ainda uma outra forma de sair
on a date.
Stealth-dating. Como o jacto que não se deixa ver nos radares. Tal e qual. Então,
stealth-dating é quando saímos com alguém sem que nos tenham feito a pergunta sacramental que mostrei acima, ou pelo menos uma das suas não menos incríveis variantes. Não apertamos a mão, não temos conversas maçadoras, não temos de telefonar amanhã nem dar beijinhos (só se quisermos muito), divertimo-nos imenso (normalmente estes são os melhores
dates) mas, ó maldição, não é um
date. É só
hanging out. E imensamente ofensivo para uma rapariga, diz a Liz, porque não foi convidada para sair e porque, digo eu, a coloca numa
grey area, numa posição de grande ambiguidade, e a ambiguidade tem de ser inexistente para um americano. Não digo isto com qualquer ironia. É assim, ponto final.
Não há
flirting. Há
dating e
hanging out. Há
dates e
buddies. O resto é conversa.
Eles só não contavam é com uma lagarta portuguesa.
Que adora conversar.